Agente da Guarda Portuária sinaliza o trânsito próximo a área portuária, usando colete tático com identificação visível nas costas. Ao fundo, veículos e estruturas típicas de zona portuária

Guarda Portuária e a segurança dos portos

A Guarda Portuária (GPort) é um órgão de policiamento ostensivo federal, integrante do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP), vinculado ao Ministério de Portos e Aeroportos, com atuação em portos, terminais e vias navegáveis federais.

Sua principal missão é garantir a segurança, prevenir irregularidades e auxiliar no cumprimento do Código Internacional ISPS, em consonância com a Convenção SOLAS.

Recentemente, ações de reforço envolveram: uso de armamentos novos, integração com sistemas de consulta da SSP, atuação em portos do Rio de Janeiro, Santos e Itaguaí, e capacitação em gerenciamento de crises por profissionais da Polícia Federal, com foco em fortalecer a vigilância e a coordenação interinstitucional.

Criação

A Guarda Portuária foi criada em 1913, inicialmente como Polícia Interna do Porto, e regulamentada como órgão sob responsabilidade da União desde 1934. Hoje, está presente nos principais portos organizados do país, incluindo Santos, Rio de Janeiro, Itaguaí e Amapá.

Subordinada às Administrações Portuárias, possui regime civil e organização funcional interna, com divisão por classes e coordenação por chefias, sem caráter militar.

A atuação da GPort é prevista no Plano Nacional de Segurança Pública Portuária (Resolução CONPORTOS nº 002/2002) e regulamentada pelas Portarias 121/2009 e 350/2014 da Secretaria de Portos.

Agente da Guarda Portuária inspeciona área escura com lanterna dentro de terminal no Porto de Santos.
Guarda Portuária_Divulgação_Porto de Santos

Atuação

A atuação da Guarda Portuária inclui várias frentes:

  • Policiamento interno em áreas primárias, controlando fluxo de pessoas, veículos e cargas;
  • Fiscalização em conjunto com autoridades aduaneiras, sanitárias, policiais e marítimas;
  • Abordagem e prisão de flagrantes, com registro e preservação de locais de ocorrência;
  • Auxílio em emergências: incêndio, sinistros, remoção de feridos e isolamento de áreas.

Recentes ações ampliadas incluem:

  • Distribuição de armamentos novos em Amapá;
  • Integração à SSP: acesso ao Sistema de Consultas Integradas para identificação de suspeitos e encaminhamento a autoridades;
  • Reforço no Rio de Janeiro e Itaguaí, com:
    • +50% no efetivo,
    • Patrulhamento marítimo extra,
    • Revistas de veículos e monitoramento via Centro de Comando de Segurança Portuária.

Capacitações

A GPort segue em processo de capacitação e aprimoramento:

  • Curso de Gerenciamento e Negociação em Crises, promovido pelo Comando de Operações Táticas da PF, voltado aos guardas do Rio de Janeiro, Itaguaí, Niterói e Angra; duração de 86 horas práticas e teóricas.
  • Participação em fóruns e conselhos estaduais, como inclusão no Conselho Estadual de Segurança Pública (CONESP) da Bahia.

Perspectivas de continuidade:

  • Ampliação da integração com SSPs e forças federais locais;
  • Aperfeiçoamento da estrutura operacional e logística;
  • Aplicação de técnicas aprendidas no controle de crises e gestão emergencial.

Monitoramento

A atuação da Guarda Portuária tem apoio de tecnologias de monitoramento e controle:

  • Centro de Comando e Controle (ex.: CCCSP no RJ) para vigilância marítima de navios atracados;
  • Sistemas de consulta criminal integrados à SSP, permitindo checagem em tempo real de antecedentes;
  • A tendência é ampliar ainda mais o uso de drones, câmeras e rastreamento em conjunto com demais órgãos.

A GPORT na segurança

A atuação da Guarda Portuária influencia de maneira significativa a segurança portuária e nacional:

  • Maior robustez operacional, com ampliação de efetivos e armamento moderno, reduzindo riscos em grandes portos;
  • Integração com SSPs permite coibir crimes como contrabando, tráfico e acessos não autorizados;
  • Capacitação em crises eleva padrão profissional, refletindo no atendimento a emergências como incêndios, acidentes e ameaças;
  • Adesão ao ISPS Code, com papel decisivo na certificação de instalações e prevenção de ataques terroristas;
  • Melhor coordenação institucional, incluindo Polícia Federal, PRF, Marinha e órgãos estaduais.

A consolidação desse modelo fortalece o Sistema Único de Segurança Pública no contexto portuário, promovendo eficácia no policiamento, resposta rápida a incidentes e integração entre as diversas forças envolvidas.

Este panorama demonstra que a Guarda Portuária ocupa posição estratégica na segurança dos complexos portuários brasileiros, atuando de forma profissional, integrada e cada vez mais preparada para cumprir suas missões em prol da ordem pública.

Transformação em polícia

A Guarda Portuária (GPort), integrada ao Sistema Único de Segurança Pública (SUSP), busca oficialmente reconhecimento como “Polícia Portuária Federal”. A proposta, encaminhada à PEC da Segurança Pública, argumenta que suas funções ultrapassam vigilância patrimonial, correspondendo ao exercício do poder de polícia nos portos, com efetivo de cerca de 1.300 agentes.

A Federação Nacional dos Portuários solicitou ao Ministério da Justiça a inclusão da GPort como força ostensiva na PEC, apontando que o órgão já compõe o SUSP e exerce competências previstas em norma federal.

QSL News: polícia em foco.

Rádio Corredor

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