Brasil bate recorde de pessoas desaparecidas em 2024: mais de 80 mil casos e crescentes desafios para localização.
O Brasil alcançou seu maior número de casos de desaparecidos desde o início da série histórica, segundo dados oficiais do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Foram 80.333 notificações de desaparecimento ao longo do ano, numa média de 219 pessoas sumindo por dia.

Panorama
O número de desaparecimentos em 2024 representa um aumento de 3,01% em comparação a 2023, quando foram registradas 77.986 ocorrências. As estatísticas refletem uma tendência de crescimento gradual nos últimos cinco anos:
- 2020: cerca de 63 mil casos
- 2021: cerca de 67 mil casos
- 2022: cerca de 76 mil casos
- 2023: cerca de 78 mil casos
Distribuição regional
A Região Sudeste concentra quase metade dos registros: 44,11% dos casos nacionais, com 35.436 registros ao todo. São Paulo, por si só, responde por quase 20 mil ocorrências.
Em seguida, aparece a Região Sul como a segunda com mais ocorrências absolutas: 17.695 casos. A Região Norte foi a que teve o menor número absoluto: 4.868 desaparecimentos em 2024.
Quando se ajusta para população, as taxas por 100 mil habitantes destacam:
- Distrito Federal: 75,36
- Roraima: 73,66
- Rio Grande do Sul: 71,92
As menores taxas foram observadas no Pará (12,33), Maranhão (12,98) e Mato Grosso do Sul (13,47).
Perfil das pessoas desaparecidas
O perfil das vítimas mostra predominância masculina: 63,80% dos desaparecimentos foram de homens, enquanto mulheres representaram 35,31%. Em 0,89% dos registros, o sexo não foi informado.
Quanto à faixa etária:
- Adultos (18 anos ou mais): 70,06% dos casos
- Crianças e adolescentes (0 a 17 anos): 27,21%
Entre adultos, São Paulo lidera com mais de 14 mil desaparecidos, seguido por Minas Gerais (5 mil) e Rio de Janeiro (4,4 mil). Já entre crianças e adolescentes, São Paulo também aparece em primeiro lugar (4,8 mil casos), seguido por Rio Grande do Sul (2,9 mil) e Paraná (2 mil).
Pessoas encontradas
Em 2024, houve 54.665 localizações, ou seja, pessoas que haviam sido dadas como desaparecidas foram encontradas. Isso representa um aumento de 6,42% comparado a 2023, que teve 51 mil localizações.
A média diária de localizações foi de aproximadamente 149 pessoas. O Sudeste e o Sul lideraram em números brutos de reencontros: 24.298 no Sudeste e 15.889 no Sul. A Região Norte, apesar de menos casos, foi a que apresentou o maior crescimento percentual de pessoas encontradas, com aumento superior a 37%.
Falta de comunicação
Um dos problemas apontados por autoridades e especialistas é a demora ou falta de comunicação por parte de familiares e testemunhas, o que dificulta o início das buscas. A crença de que é necessário esperar 24 horas para registrar o desaparecimento persiste em muitos casos.
Outro desafio está na identificação. Muitas vezes, pessoas desaparecidas não têm registro genético ou suas impressões digitais não são atualizadas, o que dificulta ou até impede a localização.
Entre as iniciativas em curso estão:
- Campanha Nacional de Coleta de DNA de Familiares: coleta de saliva ou sangue de parentes próximos para identificação genética.
- Expansão do Alerta Amber: mecanismo para desaparecimentos de menores, com divulgação imediata em redes sociais e mobilização rápida quando há risco iminente.
- Capacitação de profissionais: cursos especializados em investigação de desaparecimentos, coleta de provas, entrevistas e perícias.
Número subestimados
Cada caso de desaparecimento representa dor, incerteza e impactos emocionais profundos para famílias e comunidades. Além disso, há riscos de violência, exploração e tráfico de pessoas em situações não solucionadas rapidamente.
As desigualdades regionais chamam a atenção: enquanto alguns estados contam com estrutura mais robusta para investigação, outros ainda enfrentam graves carências. Também é importante destacar que os números podem estar subestimados, já que parte dos desaparecimentos não é relatada, ou demora a ser atualizada nas estatísticas.
Os registros de 2024 mostram que o desaparecimento de pessoas no Brasil é uma crise crescente em termos de volume e capacidade de resposta.
Houve avanços com campanhas de DNA, expansão do Alerta Amber e treinamentos, mas ainda falta acelerar processos, fortalecer protocolos, ampliar a comunicação com familiares e investir em infraestrutura investigativa.
O desafio é enorme: dar respostas mais rápidas para que menos famílias vivam a angústia de não saber o paradeiro de seus entes queridos.
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