Governo apresenta reajuste de 24,32% aos policiais civis do DF (PCDF), mas categoria cobra paridade com a PF
O governo federal apresentou, em 5 de setembro de 2025, uma nova proposta de reajuste salarial de 24,32% para os policiais civis do Distrito Federal.
O anúncio foi feito durante ato em frente ao Bloco C da Esplanada dos Ministérios e marcou um avanço nas negociações que se arrastam desde o início do ano. Ainda assim, a categoria considerou a oferta insuficiente, por não atender à principal reivindicação: a equiparação salarial com a Polícia Federal.
Proposta superior às anteriores
Até então, o Ministério da Gestão e da Inovação havia colocado sobre a mesa um reajuste de cerca de 18% — rejeitado pela categoria por ser considerado “um valor aquém da realidade inflacionária e da complexidade da atividade policial”. Agora, o percentual subiu para 24,32%, dividido em duas parcelas: a primeira de 11,5% na folha de setembro de 2025 (a ser paga em outubro) e a segunda de 11,5% em abril de 2026.
Segundo dados do próprio governo, com esse aumento, a Polícia Civil do DF acumularia, entre 2023 e 2026, um reajuste total de 54,17% para a classe especial e 46,70% para as demais categorias da carreira.
A proposta também se estende a policiais militares e bombeiros do Distrito Federal, com percentuais que variam de 50% a 73%, dependendo do posto ou graduação.

Déficit histórico
Embora o reajuste seja significativo, ele ocorre em um contexto de perda acumulada. Entre 2019 e 2022, a inflação medida pelo IPCA somou aproximadamente 32%, sem que houvesse correção proporcional para os policiais civis. Apenas em 2023 e 2024 foi concedido um aumento de 18%. Ou seja, mesmo com a nova proposta, a recomposição salarial ainda não alcança plenamente as perdas do período.
A defasagem salarial tem sido apontada pelas entidades de classe como um fator que fragiliza a motivação dos servidores, aumenta a evasão de quadros e pressiona a qualidade do serviço prestado à sociedade. Para o Sinpol-DF, sindicato da categoria, o debate não é apenas econômico, mas também estratégico: quanto vale a segurança pública da capital do país?
Batalha pela paridade com a Polícia Federal
O ponto central da insatisfação dos policiais civis do DF é a distância salarial em relação à Polícia Federal. Historicamente, houve uma busca por equiparação, sob o argumento de que ambas as instituições desempenham funções complexas, com atribuições técnicas e de investigação semelhantes.
A proposta de 24,32% melhora o cenário, mas ainda não atinge a paridade. Na avaliação de lideranças da categoria, o governo usa percentuais expressivos para tentar encerrar o impasse sem enfrentar o verdadeiro nó do problema.
A assembleia realizada após a apresentação da proposta deixou claro: o reajuste é um avanço, mas não encerra a negociação. Os policiais decidiram apresentar uma contraproposta e seguir pressionando por ganhos mais robustos.
A categoria enxerga a oferta de 24,32% como um passo importante, mas insuficiente para corrigir anos de descaso. A reivindicação pela paridade com a PF segue como bandeira central, e dificilmente será abandonada sem nova rodada de negociações.
Impacto orçamentário e jogo político
O reajuste não é apenas uma questão corporativa; ele envolve o delicado equilíbrio fiscal da União. As forças de segurança do DF são custeadas com recursos do Fundo Constitucional, o que significa que o aumento repercute diretamente nas contas federais.
O governo, por sua vez, busca mostrar disposição ao diálogo, mas também precisa dar sinais de responsabilidade fiscal em meio ao cenário de restrições orçamentárias. Trata-se de um jogo político complexo: de um lado, a pressão das categorias; de outro, o compromisso com metas fiscais e a necessidade de evitar críticas sobre gastos excessivos com folha de pagamento.
A decisão de escalonar o reajuste em duas parcelas, com impacto distribuído em dois exercícios financeiros, reflete justamente essa tentativa de acomodar pressões dentro do espaço fiscal disponível.
Resolução de crimes
O debate ultrapassa números. Trata-se de definir qual modelo de segurança pública o país quer sustentar na capital federal.
A Polícia Civil do Distrito Federal alcançou uma taxa de elucidação de 64% dos crimes no primeiro semestre de 2024, segundo dados da Agência Brasília.
Ainda mais expressivo, o índice chegou a 100% em casos graves, como latrocínios e roubos a postos de combustíveis. Esse desempenho reflete o emprego de técnicas investigativas avançadas e perícias técnico-científicas, destacando o rigor e a metodologia aplicada em investigações que somaram mais de 230 mil ocorrências naquele período.
Contraproposta
A assembleia dos policiais civis deliberou pela continuidade da mobilização e pela apresentação de contraproposta. O clima é de cautela: reconhece-se o avanço, mas a sensação é de que o governo busca ganhar tempo e dividir a categoria.
Se o impasse se prolongar, cresce o risco de paralisações parciais ou operações-padrão, medidas que podem afetar diretamente o cotidiano da população do DF. O cenário, portanto, permanece aberto, com margem para novos tensionamentos políticos e sindicais nas próximas semanas.
O que já se sabe é que a proposta de 24,32% não encerrou o debate. Pelo contrário: colocou ainda mais pressão sobre o governo, que terá de decidir se está disposto a enfrentar a pauta da paridade ou se seguirá oferecendo reajustes que, embora expressivos, ficam sempre aquém do esperado pela categoria.
QSL News: polícia em foco.


















