Execução de ex-Delegado Geral no litoral de São Paulo é o Narcoestado já formado.
A morte de Ruy Ferraz Fontes, ex-delegado-geral da Polícia Civil, em Praia Grande, reforça o debate sobre o poder de organizações criminosas no estado de SP e no Brasil. O crime é visto como um desafio direto à autoridade estatal.
Atentado
O ex-delegado-geral da Polícia Civil paulista, Ruy Ferraz Fontes, de 68 anos, foi brutalmente executado a tiros nesta segunda-feira, 15 de setembro, em Praia Grande, no litoral de São Paulo. A ação, com a precisão e a violência de um atentado planejado, lança luz sobre a crescente audácia de grupos criminosos em desafiar as estruturas de segurança do estado brasileiro.
Fontes estava em seu veículo quando foi perseguido por criminosos. Durante a emboscada, seu carro colidiu com um ônibus, momento em que os agressores desembarcaram e o executaram com mais de vinte disparos.
O evento, em plena luz do dia, chocou a corporação e a sociedade, evidenciando que o poder do crime organizado alcança até mesmo as mais altas patentes da segurança pública.
A resposta imediata do poder público foi determinada pelo governador Tarcísio de Freitas, que ordenou a criação de uma força-tarefa para identificar e prender os assassinos. O Delegado-Geral, Arthur Dian, se deslocou pessoalmente para a cidade do litoral a fim de acompanhar de perto o início das investigações.
O governador descreveu o crime como uma “ação muito planejada” e uma prova de “muita ousadia”. A execução de uma figura de tamanha relevância histórica na Polícia Civil, como Fontes, é encarada não apenas como um crime de homicídio, mas como um ato de afronta à autoridade do Estado.

Força Tarefa
A Força-Tarefa de Segurança Pública, criada por determinação do governador, mobiliza os principais departamentos da Polícia Civil para a investigação. A equipe é composta por profissionais do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP). A escolha dessas unidades visa concentrar a expertise em combate ao crime organizado e a resolução de crimes de alta complexidade.
Câmeras de segurança registraram a perseguição e o momento da colisão, fornecendo um material visual crucial para a reconstituição dos fatos. Além disso, a polícia busca depoimentos de testemunhas e utiliza o vasto banco de dados de inteligência para traçar o perfil dos criminosos e a motivação do atentado.
Um dos principais desdobramentos do trabalho policial foi a descoberta de um veículo incendiado, que é suspeito de ter sido utilizado pelos assassinos. A tática de destruir o automóvel é comumente empregada para eliminar digitais e vestígios, mas a perícia trabalha na análise dos destroços para obter qualquer pista que leve à identificação dos envolvidos.
A rapidez na resposta e a criação de uma força-tarefa são medidas essenciais para demonstrar que o Estado não se curvará diante da intimidação criminosa.
Duas hipóteses
A Polícia Civil trabalha com duas hipóteses principais para a motivação do assassinato de Ruy Ferraz Fontes. Ambas as linhas de investigação, no entanto, convergem para a ideia de uma retaliação por parte do crime organizado.
As duas linhas de investigação são:
- Vingança de Facção Criminosa: Esta é a hipótese mais provável, dada a trajetória profissional da vítima. Fontes teve um papel fundamental na luta contra o Primeiro Comando da Capital (PCC), incluindo a participação na prisão de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, líder máximo da facção. A execução, com características de ataque cirúrgico e de alto impacto, é vista como uma possível vingança pela atuação histórica do ex-delegado no combate ao crime organizado.
- Reação por Atuação em Cargo Público: A segunda linha investiga se o crime pode estar ligado à atuação de Fontes como secretário de Administração da Prefeitura de Praia Grande. A polícia apura se ele contrariou interesses de grupos criminosos, que teriam retaliado pela perda de influência ou controle sobre atividades ilícitas na região.
Independentemente da motivação, a natureza do crime aponta para um ato de guerra de uma facção criminosa contra o Estado. A investigação agora se concentra em analisar laudos periciais, cruzar informações de inteligência e buscar por foragidos. O trabalho em conjunto do Deic e do DHPP é crucial para a elucidação do caso e para que a justiça seja feita.
Narcoestado – o que é
O assassinato de Ruy Ferraz Fontes não é apenas um crime de homicídio. Ele representa um marco na escalada de violência e na demonstração de poder das organizações criminosas no Brasil.
O termo “Narcoestado” é utilizado para descrever situações em que o poder do tráfico de drogas e outras atividades ilícitas se torna tão grande que rivaliza com a autoridade do Estado, infiltrando-se em suas instituições e subvertendo a ordem legal.
A execução de uma autoridade de alto escalão, como um ex-delegado-geral, é um claro sinal de que as facções criminosas não mais operam nas sombras, mas agem abertamente para intimidar e eliminar figuras que representam a lei.
O crime mostra que o PCC não teme desafiar Estado, executando um de seus mais proeminentes representantes. A ousadia da ação aponta para um cenário em que o poder paralelo se sente confiante para impor suas próprias regras.
Sim. O Narcoestado está instalado
A horrenda e aviltante execução é o narcoestado instalado e aumentando seus tentáculos. Eles não vão parar. Já estamos no ponto do não retorno. A reação que se espera de São Paulo é dura e combativa no estilo da Operação Escudo, mas espera-se críticas de ONGs, da mídia e de partidos ditos à esquerda do espectro político, bem como críticas por parte de Defensores Públicos e, pasmem, parte do judiciário.
Essa situação já foi contada e recontada aqui no QSL. Rio de Janeiro, Salvador, Recife, Fortaleza, São Paulo já possuem áreas dominadas pelo poder paralelo. O PCC já lava dinheiro e já possui partes da economia formal. A máfia brasileira já se expandiu pelo mundo. A execução do Delegado Fontes é só mais um capítulo da mexicanização do Brasil. O narcoestado está instalado e, considerando o estado de letargia do Brasil, instalou-se e não vai embora.
A resposta enérgica da Polícia Civil é mais do que uma investigação de homicídio; é uma afirmação da soberania do Estado. A prisão dos responsáveis será fundamental para desarticular a estrutura que ordenou o crime e para enviar a mensagem de que a lei prevalecerá sobre a intimidação.
A segurança pública, portanto, precisa lidar não apenas com o crime em si, mas com a ameaça sistêmica que a sua impunidade representa para o Estado de Direito.
QSL News: polícia em foco.















