Juíza quase leva preso pra casa-Texto alternativo resumido: Pessoa participa de uma audiência de custódia em sala de tribunal; à frente dela estão juíza, servidores e equipamentos de informática. Um banner com o texto “Audiência de Custódia” está visível ao lado.

Juíza quase leva preso pra casa

O caso é mais um dos acontecimentos em série de como o judiciário brasileiro é leniente com criminosos. A juíza aos risos com um homicida denota todo o estado de coisas que envolvem a insegurança pública brasileira.

Não é preciso ser especialista para entender que um Estado que não pune aqueles que resolveram não assinar o Contrato Social, terá como consequência uma sociedade violenta e atormentada pelo crime

Vídeo


Um vídeo de uma audiência de custódia realizada em Inhumas (Goiás) mostra a juíza Mônica Miranda reconhecendo um preso — identificado nas reportagens como Kaique (Kaique Carlos Ribeiro) — e reagindo de forma descontraída, com risos e a frase “Você aqui de novo?! … Se você fosse meu filho… Me ajuda a te ajudar”.

O registro foi divulgado nas redes pela capitã Waleska Faria da Polícia Militar e viralizou em 8/9/2025.

Histórico e decisão

A audiência referia-se a um episódio de porte ilegal de arma ocorrido em maio; a PM mencionou que o preso teria passagens por homicídio e tráfico mas  foi colocado em liberdade sem tornozeleira eletrônica — circunstância que alimentou críticas nas redes sociais.

Texto alternativo resumido:
Fachada do Palácio da Justiça em Goiás, edifício moderno com estruturas geométricas na fachada; placa identifica o local e a bandeira do estado está hasteada à frente.
TJGO Divulgação

Empatia em demasia?

Há um espaço legítimo para humanizar audiências e tratar o preso como cidadão com direitos — e muitos magistrados adotam tom mais acessível para reduzir atritos e obter colaboração.

Mas permitir que a conversa pareça descontraída diante de um réu com antecedentes graves pode gerar duas consequências imediatas: a sensação de leniência por parte do Judiciário e a perda de autoridade moral para decidir medidas que afetam a segurança coletiva.

 A aparência de imparcialidade é tão importante quanto a imparcialidade em si.

Afinal, qual a finalidade da audiência de custódia?

As audiências de custódia, introduzidas no Brasil em 2015, existem para checar, com rapidez, a legalidade da prisão, aferir maus-tratos e decidir se a prisão deve ser mantida ou substituída por medidas cautelares.

 A legislação processual prevê que a prisão preventiva só seja decretada se demonstrados riscos concretos — garantia da ordem pública, risco de fuga ou prejuízo à investigação — e que, quando não houver essa demonstração, o juiz possa impor medidas não privativas, como monitoramento eletrônico, comparecimentos periódicos e outras restrições.

Ou seja: a lei dá margem à técnica judicial, mas exige motivação clara. (CNJ)

O risco real é institucional, não apenas pessoal

O caso é, na superfície, um incidente de comportamento individual — uma juíza que sorriu e brincou.

No fundo, é um sinal do desgaste entre instituições (polícia, magistratura e opinião pública) e do vácuo que as redes sociais criam entre procedimento técnico e julgamento público.

Para restaurar confiança, não basta punir ou defender o gesto: é preciso transparência imediata sobre a fundamentação da decisão, aperto nas rotinas de conduta pública e um debate claro sobre limites da humanização em processos que envolvem riscos reais à sociedade.

Se nada for explicado ou corrigido, a percepção de impunidade continuará a crescer — e a Justiça, que depende da confiança social para governar conflitos, sai perdendo

Conduta da juíza e percepção pública


Mesmo que a intenção da juíza fosse humanizar a audiência — o que, em teoria, pode aproximar o Judiciário do cidadão e ajudar em estratégias de reinserção —, a cena exposta em vídeo público cria problema sério de imagem: transmite amadorismo ou conivência quando o réu tem histórico grave, e isso corrói a confiança social no juiz como árbitro imparcial.

O Código de Ética da Magistratura e a Resolução CNJ 305/2019 orientam comportamento cauteloso dos magistrados, inclusive nas redes e em posturas públicas, justamente para evitar a aparência de parcialidade ou autopromoção.

Julgamentos decisivos precisam parecer — e ser — técnicos; cenas informais viralizadas minam a legitimidade.

PS. Sobre a divulgação da gravação: querem tanto câmeras corporais para a polícia? Por que não para todos os agentes públicos?

QSL News: polícia em foco.

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