Influenciadores digitais: a indústria do crime-Mão feminina com unhas esmaltadas escreve em uma folha de papel as palavras “Unpacking”, “News”, “Update” e “Interview”.

Influenciadores digitais: a indústria do crime

Ditos influenciadores digitais, criadores de conteúdo nas redes sociais que conquistam seguidores e autoridade em determinados nichos — moda, saúde, finanças, bem-estar, lifestyle – passam para o mundo do crime.

Da influência ao crime

Nos últimos anos, esse tipo de influência vem ganhando também um viés de monetização agressiva, muitas vezes beirando práticas antiéticas ou até fraudulentas.

Um caso emblemático no Brasil é o do humorista / influenciador Nego Di. Ele foi condenado por estelionato e está sendo investigado por promover rifas virtuais supostamente ilegais, envolvimento em esquema de lavagem de dinheiro de até R$ 2 milhões, e fraudes na divulgação de doações.

Quatro jovens influenciadores digitais posam lado a lado segurando smartphones, sorrindo e expressando diferentes emoções diante de um fundo neutro.
Imagem-ChatGPT

R$ 146,5 milhões

Mais recente, Gabriel Spalone, influenciador de 29 anos dono das fintechs Dubai Cash e Next Trading Dubai, é alvo da chamada Operação Dubai, conduzida pela Polícia Civil de São Paulo.

Ele é suspeito de envolvimento em uma fraude que desviou cerca de R$ 146,5 milhões via Pix, usando prática chamada de “Pix indireto” e mais de dez contas vinculadas a uma empresa parceira de instituição bancária.

A investigação apurou que foram feitas 607 transferências em algumas horas no dia 26 de fevereiro de 2025.

Apesar de decretada sua prisão, Spalone segue foragido; outros dois suspeitos já foram presos.

Jogo do Tigrinho

Ianka Cristini e Bruno Martins, com mais de 17 milhões de seguidores juntos, foram presos em operação em Santa Catarina em janeiro de 2025, por suposto envolvimento com a plataforma chamada Fortune Tiger (também conhecida como “Jogo do Tigrinho”)

O crime por trás da “influência”


Esses casos e mais especificamente o de Nego Di ilustra bem o paradoxo: ele exerce influência — seu alcance e engajamento — mas também é acusado de “roubar” ou enganar seguidores.

Falsas promessas

Na área da saúde, muitos influenciadores promovem tratamentos ou “curas milagrosas” sem respaldo científico.

Um levantamento da revista VEJA aponta que 81% de 200 conteúdos analisados no TikTok sobre “curas de câncer” eram não confiáveis — narrativas pessoais, produtos caros, teorias conspiratórias e afins.


Isso é uma forma de “roubo intelectual” e de confiança: seguidores investem tempo, dinheiro ou esperança em algo que não é real.

Publicidade oculta

Eles vendem produtos, planos ou serviços, muitas vezes sem deixar claro que é publicidade paga.

A audiência, que confia no influenciador, acaba sendo manipulada a consumir algo por causa da credibilidade percebida, sem saber que há interesse comercial por trás.

Rifas, esquemas e golpes financeiros

No exemplo citado, Nego Di promoveu rifas virtuais com promessa de prêmios valiosos, mas está sendo investigado por lavagem de dinheiro e estelionato.  Outros influenciadores podem promover criptomoedas duvidosas, pirâmides ou esquemas que se beneficiam da “status” de quem tem muitos seguidores.

Cartéis de influenciadores

Alguns influenciadores formam “cartéis” para inflar engajamento, manipular anúncios e garantir maiores rendimentos — de modo coordenado.

Esse mecanismo pode distorcer o mercado publicitário e prejudicar consumidores.

Não é um fenômeno isolado nem recente; observa-se cada vez mais nas diversas redes sociais (Instagram, TikTok, YouTube, X, etc.).
No Brasil, casos aparecem com frequência em campanhas de saúde, cosméticos, “lives de vendas”, rifas ou sorteios online. O caso de Nego Di emergiu entre 2023 e 2025, durante investigações de rifas virtuais e operações do Ministério Público.

Monetização e pressão por rendimento

Quanto maior a influência, maior o valor que marcas ou patrocinadores estão dispostos a pagar. Há uma pressão para converter engajamento em receita — e isso gera incentivos para cruzar a linha ética.

Os seguidores muitas vezes veem influenciadores como “amigos virtuais”, pessoas próximas, confiáveis. Essa relação torna mais fácil para os “inlfuencers” vender produtos ou ideias, mesmo quando não há substância por trás.

Eles captam nossa atenção, moldam gostos e decisões, e ao mesmo tempo podem explorar essa influência para benefício próprio — enganando seguidores, lucrando com desconfiança e confiança, e, em alguns casos, praticando crimes financeiros ou fraudes.

QSL News: polícia em foco.

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