Policial penal é assassinado durante custódia em hospital de BH e sindicato denuncia falhas estruturais graves na Sejusp-MG
A morte de um policial penal durante escolta hospitalar em Belo Horizonte, na última semana, acendeu um alerta sobre as condições de trabalho enfrentadas pela categoria em Minas Gerais.
O policial estava sozinho no momento da luta corporal. O parceiro havia abandoado o posto instantes antes da ação criminosa e esta sendo investigado.
Hospital João XXIII
O agente foi alvejado dentro do Hospital João XXIII, em um episódio que expôs não apenas a vulnerabilidade dos servidores durante missões externas, mas também a precariedade estrutural denunciada há meses pelo Sindicato dos Policiais Penais de Minas Gerais (Sindppen-MG).
O caso repercutiu entre servidores da segurança pública e trouxe à tona questionamentos sobre a capacidade da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp-MG) em oferecer condições mínimas de segurança aos seus profissionais. Para o sindicato, a tragédia poderia ter sido evitada caso houvesse investimento em estrutura, logística e gestão adequada de pessoal.

Reclamações antigas ignoradas
Em nota pública, o Sindppen-MG apontou que a morte do policial penal é resultado direto da negligência do Estado. Entre os problemas relatados estão a ausência de rodízio das equipes que atuam em hospitais, a falta de locais de descanso, a inexistência de armários para guarda de equipamentos e pertences pessoais, além da precariedade no controle de armamento.
Segundo a entidade, não é incomum que os policiais penais realizem trocas de armas em corredores improvisados, sem qualquer garantia de sigilo ou proteção. Essa situação expõe tanto os servidores quanto a população civil a riscos adicionais, já que a manipulação de armamento em locais inadequados pode resultar em acidentes ou facilitar ações criminosas.
Problemas estruturais enfrentados
- falta de rodízio de equipes;
- ausência de locais adequados para descanso;
- inexistência de armários para guarda de pertences;
- agentes precisando fazer troca de armamento em corredores;
Jornada exaustiva e falta de efetivo
Outro ponto destacado é a sobrecarga de trabalho. Com efetivo reduzido, os policiais penais frequentemente cumprem jornadas exaustivas, em um regime que compromete a atenção, o reflexo e a capacidade de reação em situações de risco. O sindicato alerta que, em ambientes de alta complexidade como hospitais públicos, onde há grande circulação de pessoas, esse cansaço se torna ainda mais perigoso.
Escoltas hospitalares: o elo mais frágil?
As escoltas em hospitais estão entre as tarefas mais delicadas da Polícia Penal. Diferentemente do ambiente controlado das unidades prisionais, os agentes lidam com cenários de imprevisibilidade: corredores lotados, ausência de salas específicas para custódia e exposição constante a familiares dos custodiados e outros pacientes. A vulnerabilidade se amplia em Minas Gerais diante da falta de áreas adaptadas para abrigar presos em tratamento médico.
Esse contexto facilita tentativas de resgate e ataques contra os policiais penais, como ocorreu no Hospital João XXIII. O episódio evidencia a urgência de repensar o modelo de segurança adotado pelo Estado e de implementar protocolos mais rigorosos de proteção.
Reação da categoria
Após a tragédia, manifestações de luto e protesto se espalharam entre policiais penais em diferentes regiões de Minas. Em grupos internos da categoria, o clima é de indignação. Muitos servidores avaliam que a morte do colega é reflexo do “abandono institucional” vivido pela Polícia Penal mineira.
O sindicato anunciou que pretende intensificar o diálogo com parlamentares estaduais e buscar apoio jurídico para cobrar responsabilidade da Sejusp-MG. Entre as medidas defendidas estão a criação de alas específicas para custodiados em hospitais, o reforço do efetivo destinado a escoltas e a melhoria nas condições de descanso e de troca de turnos.
SEJUSP-MG
A Sejusp-MG informou que acompanha o caso e que medidas estão sendo estudadas para reforçar a segurança dos policiais penais em missões externas A secretaria investiga o motivo de a escolta ter sido realizada por apenas um agente, em desacordo com o protocolo que determina a presença mínima de dois policiais penais em casos dessa natureza.
No entanto, a resposta oficial não foi suficiente para acalmar a categoria, que exige soluções imediatas e concretas.
Após o evento, foi apresentado um projeto de lei para proibir que apenas um policial realize essas escoltas. Mas a Sejusp de MG reforçou que o protocolo exige dois policiais penais, e equipes de fiscalização fazem rondas regulares para verificar o cumprimento desse procedimento
Apenas em MG?
Especialistas em segurança pública avaliam que o problema não se limita a Minas Gerais. Em diversos estados, a falta de estrutura para escoltas hospitalares representa um dos pontos mais frágeis do sistema penitenciário. Contudo, no caso mineiro, a sucessão de denúncias e agora a morte de um servidor criam um cenário de crise institucional.
Alerta
O assassinato em Belo Horizonte simboliza a realidade enfrentada diariamente por milhares de agentes em todo o país. O episódio reforça a percepção de que, sem valorização, investimento e treinamento, o sistema penal permanece vulnerável — colocando em risco não apenas os servidores, mas toda a sociedade.
QSL News: polícia em foco.