Todas as cidades com as piores taxas de homicídio do país ficam na região Nordeste.
Outro dado que salta aos olhos é que as cidades não estão entre os piores IDHs do Brasil. Violência letal se concentra no Nordeste, mas não nas cidades com pior IDH-M.
O Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) aponta uma concentração alarmante de Mortes Violentas Intencionais (MVI) em municípios da região Nordeste, mas revela um paradoxo social: essas cidades, que lideram o ranking de letalidade, não estão entre as mais subdesenvolvidas do país, de acordo com dados do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) de 2010.
100 mil habitantes
O 19º Anuário Brasileiro de Segurança Pública (2025) destacou que todas as dez cidades com as maiores taxas de MVI em 2024 (considerando aquelas com mais de 100 mil habitantes) são da região Nordeste, com a Bahia liderando a lista com cinco municípios, seguida pelo Ceará com três e Pernambuco com dois.
O Mapa da Violência: Bahia e Ceará no Topo
O levantamento do FBSP mostra que a concentração da violência letal no Nordeste é absoluta no topo do ranking nacional. A cidade de Maranguape (CE) lidera com uma taxa de 79,9 MVI por 100 mil habitantes, seguida de perto por Jequié (BA), com 77,6.
A lista completa das dez cidades mais violentas reflete uma crise de segurança localizada e profunda no Nordeste:
| Posição (MVI) | Município (UF) | Taxa de MVI (por 100 mil) |
| 1 | Maranguape (CE) | 79,9 |
| 2 | Jequié (BA) | 77,6 |
| 3 | Juazeiro (BA) | 76,2 |
| 4 | Camaçari (BA) | 74,8 |
| 5 | Cabo de Santo Agostinho (PE) | 73,3 |
| 6 | São Lourenço da Mata (PE) | 73,0 |
| 7 | Simões Filho (BA) | 71,4 |
| 8 | Caucaia (CE) | 68,7 |
| 9 | Maracanaú (CE) | 68,5 |
| 10 | Feira de Santana (BA) | 65,2 |
As cidades da Bahia estão particularmente expostas, ocupando cinco das dez posições, com Jequié, Juazeiro e Camaçari nas primeiras quatro posições do ranking de letalidade. O Anuário sugere que a alta violência nesses municípios está associada a disputas entre facções do crime organizado pelo controle do tráfico de drogas.

O Paradoxo do Desenvolvimento: Cidades Médias e Violentas
Apesar de liderarem a lista de violência letal, esses municípios não representam as piores realidades em termos de desenvolvimento humano, de acordo com a última mensuração nacional de IDH-M, feita em 2010 (*). O IDH-M mede a qualidade de vida, considerando a expectativa de vida, educação e renda.
A análise do IDH-M 2010 mostra que, das dez cidades:
- Nove estavam classificadas na faixa de desenvolvimento humano Médio (IDH-M entre 0,600 e 0,699).
- Apenas uma, Feira de Santana (BA), estava na faixa de desenvolvimento Alto (IDH-M de 0,712).
A cidade com o IDH-M mais baixo do grupo é São Lourenço da Mata (PE) (0,653), que ocupa uma posição aproximada de 2.830ª no ranking nacional.
Em comparação, a cidade com o IDH-M mais alto é Feira de Santana (BA), que ocupa a 1.546ª posição no ranking nacional. A capital Juazeiro (BA), terceira no ranking MVI, ocupava a 2.503ª posição nacional em IDH-M em 2010.
Os dados confirmam que, embora a violência extrema se concentre no Nordeste, ela não está predominantemente nas cidades com os piores indicadores de desenvolvimento humano do Brasil, que tipicamente ocupam posições abaixo da 3.000ª posição no ranking nacional de IDH-M.
MVI vs. IDH-M (2010)
| Posição MVI (2024) | Município (UF) | IDH-M (2010) | Posição Nacional IDH-M (2010) |
| 1 | Maranguape (CE) | 0,659 | Aprox. 2.730ª |
| 2 | Jequié (BA) | 0,665 | Aprox. 2.590ª |
| 3 | Juazeiro (BA) | 0,677 | 2.503ª |
| 4 | Camaçari (BA) | 0,694 | 2.078ª |
| 5 | Cabo de Santo Agostinho (PE) | 0,686 | Aprox. 2.200ª |
| 6 | São Lourenço da Mata (PE) | 0,653 | Aprox. 2.830ª |
| 7 | Simões Filho (BA) | 0,675 | Aprox. 2.540ª |
| 8 | Caucaia (CE) | 0,682 | Aprox. 2.340ª |
| 9 | Maracanaú (CE) | 0,686 | Aprox. 2.200ª |
| 10 | Feira de Santana (BA) | 0,712 | 1.546ª |
Facções
A disparidade sugere que o motor por trás dessas altas taxas de homicídio pode estar mais ligado a fenômenos contemporâneos do crime organizado e menos à pobreza estrutural extrema, que geralmente se manifesta nas piores posições de desenvolvimento humano do país.
A dinâmica violenta pode ser um reflexo da disputa territorial entre facções pelo controle de rotas de tráfico, o que impulsiona a letalidade em centros urbanos estratégicos e de IDH-M médio/alto, em vez de se concentrar nas áreas mais remotas e menos desenvolvidas.
(*) Embora o PNUD tenha divulgado valores de IDH para o Brasil em anos mais recentes (o valor de 2023, por exemplo, foi de 0,786, posicionando o país em 84º no ranking global), esses valores se referem ao IDH nacional ou, em alguns casos, a médias de IDH-M para estados e regiões metropolitanas com base em pesquisas anuais como a PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios). Portanto, para o ranking completo de IDH-M de todos os municípios, que é o que utilizamos na notícia anterior, a última referência é a de 2010.
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