Vingança e tragédia em Santa Catarina: A execução do Professor Lucas Antonio de Lacerda
O assassinato do professor Lucas Antonio de Lacerda, de 39 anos, ocorrida no último dia 15 de setembro em São José, na Grande Florianópolis, expôs um enredo marcado por dor, vingança e violência.
O educador foi executado com nove tiros em plena luz do dia, dentro de seu carro, em frente a uma padaria do bairro Ipiranga.
A investigação da Polícia Civil aponta que o crime foi motivado por vingança: o suspeito seria o pai de um jovem que morreu em um acidente de trânsito envolvendo o professor em 2024.
A prisão do acusado, realizada em Palhoça no dia 20 de setembro, encerrou a primeira fase de um caso que chama atenção não apenas pela brutalidade, mas também pelos desdobramentos jurídicos e sociais que carrega.

Em plena luz do dia
A execução de Lucas foi registrada por câmeras de monitoramento do programa Bem-Te-Vi, revelando que não se tratava de um crime aleatório, mas sim de uma ação premeditada.
O professor estava em seu Peugeot 207 SW, estacionado em frente à padaria Schutz, quando foi alvejado com nove disparos.
A frieza da execução, ocorrida em um local movimentado e em horário de grande circulação de pessoas, reforça a linha investigativa de que o crime tinha como objetivo único tirar a vida da vítima.
A Investigação e a prisão
A Delegacia de Homicídios de São José conduziu o caso, contando com apoio de diferentes órgãos de inteligência: o Laboratório de Inteligência Cibernética da Polícia Civil, a Agência de Inteligência do 7º Batalhão da Polícia Militar e o Núcleo de Inteligência Integrado da Guarda Municipal.
Graças ao trabalho conjunto, foi possível identificar e localizar o suspeito em Palhoça, onde ele acabou sendo preso. Contra ele, também foram cumpridos mandados de busca que reforçam a linha investigativa de motivação por vingança.
Segundo a Polícia Civil, o vínculo entre o suspeito e a vítima estava diretamente relacionado a um acidente de trânsito ocorrido em 2024.
O Acidente de 2024
No ano passado, Lucas Antonio de Lacerda se envolveu em um acidente que resultou na morte do filho do suspeito preso.
O professor respondia judicialmente por homicídio culposo na direção de veículo automotor, crime que ocorre quando a morte é causada sem intenção, mas por imprudência, imperícia ou negligência.
O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) denunciou o professor após ele recusar a proposta de um acordo de não persecução penal. A denúncia se baseou em laudos periciais, boletins de ocorrência e depoimentos de testemunhas.
A Vara Criminal do Foro do Continente recebeu a denúncia e marcou a audiência de instrução e julgamento para 24 de junho de 2026. Até então, Lucas respondia ao processo em liberdade.
O magistrado responsável destacou, em despacho, que nesta fase processual bastavam indícios de responsabilidade, a serem confirmados ou afastados ao longo da instrução probatória.
Entre a justiça e a vingança
O caso escancara um dilema recorrente na sociedade brasileira: a tensão entre a expectativa de justiça e a escolha pelo caminho da vingança.
Para o agora assassino, a dor da perda do filho teria se transformado em combustível para um crime calculado, deixando de lado a via legal que já estava em andamento no Judiciário.
Esse tipo de reação, embora compreensível sob a ótica da dor pessoal, revela um problema grave: quando cidadãos decidem agir por conta própria, assumindo o papel de “justiçadores”, a ordem social e o próprio sistema de justiça são fragilizados.
O resultado, como neste caso, é a repetição da tragédia — uma vida perdida no passado e outra interrompida no presente.
Tragédias
A morte de Lucas Antonio de Lacerda não encerra apenas uma investigação policial; ela simboliza um ciclo de tragédias que se retroalimentam.
A escolha pela vingança acrescentou mais sangue à história, produzindo outra família em luto.
Casos como este levantam uma reflexão necessária: até que ponto a sociedade brasileira consegue confiar no sistema de justiça?
Quando cidadãos se sentem autorizados a agir por conta própria, estamos diante de um fracasso coletivo. Esse fracasso passa pela incapacidade do Estado de dar respostas rápidas e transparentes. O fato de raramente alguém ser processado por homicídio doloso alimenta a sensação de impunidade.
Cabe à sociedade compreender que a vingança nunca é solução — apenas perpetua tragédias.
QSL News: polícia em foco.

















