Falso juiz-A imagem mostra uma mulher sentada atrás de uma mesa de escritório, vestindo blazer azul. Em primeiro plano aparecem uma balança da Justiça e dois livros empilhados.

A Justiça tarda, mas o falso juiz não falha

Quadrilha do “falso juiz” é desarticulada em Rio Claro: Polícia Civil prende dois suspeitos e investiga rede de golpes

Interior paulista

A Polícia Civil de São Paulo prendeu, na quarta-feira (24/09/2025), dois homens em Rio Claro, interior do estado, durante operação contra uma quadrilha que ficou conhecida como a do “falso juiz”.

O grupo, segundo as investigações, utilizava documentos falsificados e se passava por autoridade do Judiciário para aplicar golpes em diversas cidades da região.

A operação cumpriu mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão, expedidos pela Justiça a partir das provas reunidas pelos investigadores.

O modo de operação

De acordo com a Polícia Civil, os suspeitos criavam um cenário fictício no qual simulavam julgamentos e decisões judiciais.

 Para isso, exibiam documentos com carimbos, assinaturas e timbres falsos, passando-se por magistrados ou servidores do Judiciário.

A quadrilha exigia pagamentos em dinheiro das vítimas, oferecendo “decisões favoráveis” em processos que, na realidade, nem sequer existiam.

Em outros casos, prometiam arquivar supostos processos que trariam risco às vítimas, caso não houvesse o repasse financeiro.

Essa forma de estelionato combinava o medo da autoridade judicial com a ignorância das pessoas em relação ao funcionamento real do sistema de Justiça.

O golpe funcionava justamente porque explorava a confiança social depositada em juízes e tribunais.

A imagem mostra uma estátua de bronze da deusa da Justiça, com os olhos vendados, segurando uma balança em uma das mãos e uma espada na outra.
Imagem da Justiça-Divulgação

Vítimas

As vítimas acreditavam estar diante de uma autoridade legítima. Muitas, ao receber notificações falsas ou serem chamadas para encontros presenciais, se viam coagidas a pagar quantias consideráveis, temendo consequências legais ou penais.

Esse aspecto psicológico é central: o medo de enfrentar a Justiça ou de sofrer represálias levou pessoas a aceitarem ordens e exigências que nunca poderiam ter respaldo em tribunais verdadeiros.

Para os golpistas, o truque era simples — quanto menos a vítima entendia sobre o funcionamento do Judiciário, maior a probabilidade de ser enganada.

Investigação em andamento

Segundo a Polícia Civil, o esquema tinha ramificações em diferentes cidades da região de São Carlos e Rio Claro. Os investigadores não descartam que outras pessoas estejam envolvidas, inclusive com papéis de liderança e falsificação documental.

As duas prisões de quarta-feira podem ser apenas o início de uma série de medidas. Novos mandados poderão ser cumpridos conforme o avanço da investigação.

A Polícia Civil também reforçou a necessidade de que eventuais vítimas denunciem para ajudar a comprovar a extensão dos crimes.

Impacto institucional

Casos como esse trazem uma dimensão ainda mais preocupante: além de gerar prejuízos financeiros e emocionais para os cidadãos, afetam a credibilidade das instituições públicas.

A ideia de que alguém possa se passar por juiz, emitindo decisões falsas, mina a confiança no sistema de Justiça.

Para as forças de segurança, combater esse tipo de fraude é também uma forma de proteger a legitimidade do Estado e a imagem das autoridades que atuam de fato.

O crime de usurpação de função pública, previsto no Código Penal, pode resultar em pena de detenção de até dois anos, além das penas por estelionato, falsificação de documentos e associação criminosa.

Alerta

As autoridades reforçam que cidadãos devem sempre verificar a autenticidade de comunicações judiciais. Processos, intimações e decisões podem ser consultados de forma digital nos sites oficiais dos tribunais.

Nenhum juiz pode exigir pagamentos diretos em dinheiro a qualquer parte envolvida em um processo.

Em casos de dúvida, a orientação é procurar a Defensoria Pública, um advogado de confiança ou diretamente o fórum da cidade. Esse tipo de cuidado pode evitar cair em armadilhas como a da quadrilha de Rio Claro.

Padrão

Embora cause estranhamento, o caso não é isolado. Quadrilhas já se passaram por policiais, promotores e até fiscais para extorquir vítimas em diferentes estados brasileiros.

Isso revela um padrão: o crime organizado percebe que usar a imagem da autoridade pública é uma forma eficiente de intimidar e lucrar. A atuação da Polícia Civil de São Paulo mostra eficiência na resposta

QSL News: polícia em foco.

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