Ceará em guerra: facções tomam territórios, elevam mortes e desafiam o Estado.
A escalada da violência no Ceará: Um ataque em uma escola em Sobral, na região Norte do estado, deixou dois adolescentes mortos e outros três feridos.
O episódio, investigado como consequência da disputa entre facções criminosas, expôs a fragilidade do poder público frente ao domínio territorial exercido por grupos organizados.
A situação, que não é recente, vem se agravando ano após ano, colocando o Ceará como um dos principais polos de conflito entre facções no Brasil.

A escola no fogo cruzado
O caso de Sobral chamou atenção pela brutalidade e pelo local escolhido: uma instituição de ensino.
Um dos alunos feridos vivia em área controlada pelo Primeiro Comando da Capital (PCC), enquanto a escola ficava em território dominado por facção rival.
A investigação aponta que o ataque não foi um ato isolado, mas parte de uma lógica de guerra pelo controle territorial, na qual até crianças e adolescentes acabam se tornando alvos ou vítimas colaterais.
A geopolítica do crime
O estado se tornou estratégico para o tráfico internacional de drogas.
A proximidade com a Europa e os Estados Unidos, somada à infraestrutura do Porto de Pecém, transformou o Ceará em uma rota fundamental para escoamento de cocaína.
Esse fator atraiu facções nacionais como PCC, Comando Vermelho (CV) e Terceiro Comando Puro (TCP), além de grupos locais, como os Guardiões do Estado (GDE).
O resultado é uma disputa permanente por domínio de territórios urbanos, rotas de tráfico e influência sobre comunidades.
Números em alta
Os dados confirmam o avanço da violência.
Em 2024, o Ceará registrou aumento de 11% nas mortes violentas em relação ao ano anterior, chegando a 3.361 assassinatos. Apenas entre janeiro e agosto de 2025, já são 2.087 mortes violentas, número que engloba homicídios, feminicídios, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e mortes em ações policiais.
O impacto nas comunidades
Para além dos números frios, há uma realidade de medo e silêncio imposto às populações locais.
Moradores de bairros controlados por facções relatam que não podem circular livremente em áreas dominadas por grupos rivais.
Serviços privados, como provedores de internet, chegaram a ser alvo de ataques quando se recusaram a obedecer às ordens de criminosos. A insegurança se tornou rotina, e a sensação é de que o poder paralelo dita as regras em muitos lugares.
Respostas do governo
O governador Elmano de Freitas (PT) classificou o ataque em Sobral como “gravíssimo” e determinou reforço policial.
A Secretaria de Segurança Pública passou a ser chefiada pelo delegado federal aposentado Roberto Sá, que assumiu com o desafio de conter a escalada.
Entre as medidas anunciadas estão o reforço da inteligência policial, ações conjuntas com forças federais e a promessa de ampliar programas de prevenção social voltados à juventude.
Consolidação
O Ceará não é um caso isolado, mas um retrato de como as facções se consolidaram como atores centrais no cenário da segurança pública brasileira.
O ataque em Sobral revelou de forma dolorosa que até escolas — espaço que deveria ser protegido — já não estão imunes ao alcance do crime. A guerra de facções é uma tragédia anunciada, que se alimenta da omissão, da fragmentação institucional e da incapacidade de construir políticas consistentes de prevenção e repressão.
O fecho é inevitável: chegamos a um ponto em que facções criminosas controlam territórios, impõem regras e desafiam o Estado de forma aberta. Se o poder público continuar a responder apenas com medidas pontuais e emergenciais, a tendência é que a violência se agrave ainda mais, transformando a guerra do Ceará em prenúncio do que pode se espalhar para o resto do país.
É um alerta duro às autoridades — e à sociedade — sobre o abismo em que já estamos.
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