Salvador: violência persistente e desafios para a segurança pública
A capital baiana voltou a figurar no topo de indicadores preocupantes. Salvador apresenta a maior taxa de homicídios do país, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, e é a capital mais violenta do Brasil.
O cenário chama atenção não apenas pela gravidade dos números, mas também pela dificuldade em reverter a tendência. De quebra, o estado da Bahia é um dos piores estado para se viver no país, quando o quesito é segurança pública.
Números alarmantes de homicídios
O Atlas da Violência 2024, com base em dados de 2022, mostra que a Bahia é o estado com maior número absoluto de mortes violentas intencionais. Salvador, por sua vez, registra taxas acima da média nacional, com índices que superam 50 homicídios por 100 mil habitantes em algumas áreas da Região Metropolitana.
Bairros populosos como Cajazeiras, Subúrbio Ferroviário, Paripe e Plataforma aparecem frequentemente entre os mais atingidos por confrontos de facções e tráfico de drogas.
Organizações como o Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam que a violência é resultado de uma combinação de fatores: disputas territoriais de grupos criminosos, baixa presença do Estado em áreas periféricas, dificuldades de investigação e impunidade.
Contexto político
O governo da Bahia é administrado pelo Partido dos Trabalhadores (PT) desde 2007. Jaques Wagner assumiu em 2007, Rui Costa governou entre 2015 e 2022 e, desde 2023, Jerônimo Rodrigues ocupa o cargo de governador. Ou seja, o PT está há mais de 16 anos no comando do estado. Durante esse período, programas de combate ao crime foram criados, mas os indicadores de violência permanecem elevados.
Especialistas em segurança destacam que políticas públicas precisam de continuidade, mas também de revisão quando os resultados não aparecem. Apesar de investimentos em tecnologia, câmeras, viaturas e novas unidades policiais, a capital baiana ainda sofre com altos índices de homicídios, assaltos e crimes contra o patrimônio.
Estrutura das forças de segurança na Bahia
A Polícia Militar da Bahia (PM-BA) é uma das maiores do país, com aproximadamente 30 mil integrantes. A Polícia Civil da Bahia (PC-BA) também desempenha papel essencial, mas enfrenta déficit de efetivo e dificuldades de investigação.
Relatórios da Secretaria de Segurança Pública indicam que a taxa de elucidação de homicídios permanece baixa, o que contribui para a sensação de impunidade.
Quando comparadas a outros estados, as forças policiais baianas enfrentam desafios salariais. Em ranking de remuneração inicial, a PM-BA aparece entre as que oferecem salários mais baixos para soldados. Em 2024, o soldado da PM baiana tem vencimento inicial em torno de R$ 4.400, valor inferior ao de corporações como Distrito Federal, Goiás, São Paulo e Paraná, onde a remuneração inicial ultrapassa R$ 6 mil em alguns casos. Essa diferença impacta a atração e retenção de profissionais, além da motivação da tropa.
Concursos recentes e necessidade de reforço
Para tentar reduzir o déficit, o governo estadual realizou concursos recentes. Em 2023, foram ofertadas cerca de 2.500 vagas para soldados da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros. Também houve concurso para delegado, escrivão e investigador da Polícia Civil, com mais de mil vagas.
Apesar disso, entidades de classe argumentam que a quantidade de novos servidores não acompanha o crescimento da população nem a complexidade das demandas de segurança em Salvador e no interior.
Futuro
O enfrentamento da violência em Salvador exige mais do que ações pontuais. Analistas defendem políticas integradas que incluam inteligência policial, valorização salarial, investigação qualificada e políticas sociais efetivas de longo prazo para reduzir a influência de facções criminosas.
A experiência de outros estados mostra que o real enfrentamento às organizações criminosas, aliados a investimentos consistentes em educação, oportunidades de emprego e urbanização de áreas vulneráveis podem reduzir a violência a médio e longo prazo.
Após mais de 16 anos de governos do mesmo partido, a Bahia enfrenta o desafio de mostrar que quando as estratégias adotadas não surtem efeito, são necessárias novas políticas para mudar o quadro que já se tornou crônico.
A capital segue como um alerta nacional daquilo que não deve ser feito em política pública na área de segurança.
QSL News: polícia em foco.

















