Facções avançam em paraísos turísticos do Nordeste e expõem falhas do Estado brasileiro
Presença criminosa em destinos turísticos
Relatos e investigações apontam que facções como o Comando Vermelho (CV) e o Sindicato do Crime (SDC) vêm expandindo suas atividades em regiões turísticas do Nordeste. Férias comprometidas?
A novidade é a presença também do Terceiro Comando Puro (TCP).
Locais famosos por suas paisagens paradisíacas, como Jericoacoara (CE), Pipa (RN) e Porto de Galinhas (PE), têm registrado episódios de violência, tráfico de drogas e tentativas de controle social.
Em Pipa, a BBC News Brasil mostrou que o Sindicato do Crime impõe regras a moradores e comerciantes, reforçando a presença do tráfico e dificultando a atuação das forças de segurança.
A reportagem destaca que a facção local exerce “ordem paralela”, fiscalizando festas, restringindo atividades comerciais e intimidando a comunidade.
Jericoacoara: paraíso sob alerta
No Ceará, a presença do Comando Vermelho é tema de investigações. Em abril de 2025, a Polícia Civil prendeu seis suspeitos ligados à morte de um jovem turista em Jericoacoara, crime que teria relação com disputas entre facções.
A atuação de grupos criminosos inclui tráfico de drogas e a intimidação de moradores, embora as alegações de “cobrança de taxas” e “sequestro de antenas de telefonia” não tenham confirmação em fontes oficiais.

Porto de Galinhas
Em Pernambuco, Porto de Galinhas também aparece em relatos sobre facções que tentam controlar o comércio de drogas e impor regras informais.
A BBC cita casos de intimidação de comerciantes e de empresas de internet, embora não haja provas de taxas fixas ou valores exigidos como o boato viraliza em redes sociais.
Em Aracaju (SE), denúncias de aumento da criminalidade e da presença de facções foram registradas por órgãos de imprensa locais, mas sem confirmação de esquemas sistemáticos de “taxa de segurança”.
Um problema que não é isolado
Disputa por territórios turísticos faz parte de um fenômeno mais amplo: a expansão de facções para cidades de médio porte e destinos de alto fluxo de visitantes, onde o Estado não mantém presença constante.
Essa “interiorização” do crime organizado é visível também no Ceará, onde o Terceiro Comando Puro (TCP) tem avançado em regiões antes dominadas pelo Comando Vermelho.
Narcoestado
Os episódios no Nordeste reforçam a percepção de que o Brasil enfrenta não apenas crimes pontuais, mas a consolidação de estruturas paralelas de poder.
Facções armadas impõem regras, oferecem “segurança”, infiltram-se em atividades econômicas e exploram a ausência do Estado.
Quando organizações criminosas passam a ditar normas em destinos turísticos, ameaçando moradores e comerciantes e desafiando abertamente as forças de segurança, surge um alerta claro: o país vive sinais de narcoestado em formação.
A incapacidade das autoridades pública em garantir a ordem abre espaço para que o crime organizado atue como um poder de fato, cobrando tributos informais e controlando rotinas, o que compromete a economia, o turismo e a própria soberania nacional.
Evidências TCP no Ceará
- Expansão para o interior
A facção TCP já ocupa áreas fora da capital, por exemplo no Vale do Jaguaribe e na Serra da Ibiapaba. - Mudança de filiação de lideranças do GDE para o TCP
Líderes da facção Guardiões do Estado (GDE), que era local, teriam migrado para o TCP. Essa mudança gerou disputas, incluindo mortes, em bairros de Fortaleza como Jangurussu, Aerolândia, Conjunto Palmeiras. - Aliança/fusão com grupos locais
Em 2025, também há notícia de que o TCP formalizou uma fusão com as facções GDE e Massa no Ceará, declarando “guerra” ao Comando Vermelho (CV). - Uso simbólico de pichação e sinais de domínio
A facção TCP já aparece em pichações, queimas de fogos ou manifestações simbólicas em municípios do interior do estado, marcando presença
Leia Mais
- Portal N10 – Pipa ganha destaque negativo da BBC
- Primeiro Jornal – Prisão de suspeitos em Jericoacoara
- Fatos Policiais – Avanço do TCP no Ceará
QSL News: polícia em foco.

















