Líder comunitária da Favela do Moinho é acusada de comandar esquema do PCC
A operação deflagrada nessa segunda-feira (8) pelo Gaeco do Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Militar expôs mais uma vez a capacidade do Primeiro Comando da Capital (PCC) de infiltrar-se nas estruturas sociais e comunitárias.
Alessandra Moja, que se apresentava como “líder comunitária” da Favela do Moinho, foi presa sob a acusação de atuar diretamente na defesa dos interesses de seu irmão, Leonardo Moja, o “Léo do Moinho”, apontado como chefe do tráfico local e integrante da facção criminosa.
Hotéis como fachada do crime
A investigação revelou que uma rede de hotéis na região da Cracolândia funcionava como peça central em um esquema de tráfico de drogas, exploração sexual e lavagem de dinheiro. O grupo não apenas hospedava usuários de crack, mas também transformava os estabelecimentos em centros de prostituição e bases de operação do PCC.
Para dar aparência de legalidade, a família Moja criou empresas formais como a L.M. Moja Hotel e a Hospedaria Barão de Piracicaba (Chonn Kap Hotel). Documentos bancários, recibos de hospedagem e até dinheiro vivo foram apreendidos, reforçando os indícios de que o negócio hoteleiro não passava de fachada para atividades ilícitas.

Camareiros que viraram “soldados” do PCC
O relatório do Ministério Público vai além: aponta que até camareiros dos hotéis acabaram incorporados ao PCC. Antigos funcionários de estabelecimentos controlados pela facção tornaram-se responsáveis pela chamada “disciplina” — a vigilância e a ordem interna do crime organizado.
Ou seja, quem deveria trocar lençóis passou a controlar rotinas criminosas e impor regras da facção.
Alessandra Moja: da liderança comunitária à prisão
Alessandra Moja usava o título de “representante da comunidade” para atuar como ponte entre moradores e autoridades. Mas, segundo a investigação, sua função real era proteger os negócios do irmão e dificultar medidas de remoção e regularização.
Para os promotores, essa estratégia era parte de um teatro social: aparentar defesa da população enquanto os interesses da facção eram garantidos nos bastidores.
Operação no Moinho
A operação desta segunda-feira cumpriu 10 mandados de prisão preventiva e 21 de busca e apreensão. Sete suspeitos de chefiar o tráfico no Moinho foram presos, incluindo Alessandra.
As investigações mostram que o grupo criminoso também cobrava dinheiro de moradores que aceitavam deixar a comunidade para viver em unidades da CDHU. Além disso, manipulava movimentos sociais para dificultar a saída das famílias — tudo a mando de Léo do Moinho.
PCC infiltrou-se na comunidade
A Favela do Moinho já é alvo da Operação Dignidade, do governo de São Paulo, que busca remover as 824 famílias que vivem entre duas linhas de trem para dar lugar a um parque. Até agora, pouco mais da metade foi realocada.
A prisão de Alessandra Moja lança luz sobre a profunda infiltração do PCC nas estruturas comunitárias e sociais. O que parecia liderança popular, na prática, se mostrou mais uma engrenagem do crime organizado — um retrato da dificuldade do Estado em diferenciar, e enfrentar, atores legítimos da comunidade e braços criminosos disfarçados de “lideranças”.
A prisão de Alessandra Moja é mais um capítulo da longa série de operações que vêm sendo realizadas na Cracolândia e no Moinho, território historicamente dominado pelo tráfico e pela degradação urbana.
Estratégia correta
Nos últimos anos, ações conjuntas entre MP, PM e governo estadual têm demonstrado que, apesar das dificuldades, a estratégia de golpear as estruturas financeiras e logísticas do crime organizado é o caminho mais eficaz para enfraquecer o poder do PCC.
Cada prisão, cada bloqueio patrimonial e cada hotel desmontado reforçam que a assertividade das operações é fundamental para romper o ciclo de exploração que há décadas aprisiona comunidades inteiras em torno do tráfico.
QSL News: polícia em foco.

















