Cartaz de divulgação do projeto Celular Seguro. À esquerda, uma mão segura um celular com a logomarca do programa. À direita, aparece o texto “Lançamento do Projeto Celular Seguro”, acompanhado de logos institucionais e cores da bandeira do Brasil.

Quem lembra do Celular seguro?

Celular Seguro: ferramenta que expõe fracasso da agenda política sobre segurança do governo federal

Sucesso de adesão – mas falha estrutural

O aplicativo Celular Seguro, criado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, rapidamente se tornou um fenômeno de adesão: em menos de três dias, já somava 500 mil cadastros — um número que demonstrava o desespero dos cidadãos na iniciativa antes à pandemia de roubos de celulares.

Apesar de promissor, o programa também escancarou a inércia do Estado: ao oferecer uma ferramenta paliativa para bloquear celulares, o governo assumiu sua incapacidade de executar políticas de segurança preventiva mais eficazes.

Falhas

Na primeira semana de operação, o Celular Seguro enfrentou problemas técnicos. O bloqueio remoto de aplicativos bancários podia demorar até 24 horas, e o corte do sinal telefônico só passava a vigorar a partir de fevereiro de 2024.

Não bastasse isso, mesmo bloqueado, o aparelho continua transportando dados sensíveis — fotos, documentos, mensagens, redes sociais — alimentando novas formas de crimes digitais e extorsão.

Isso sem contar o fato que muitos aparelhos simplesmente são roubados para virarem carcaças e repositório de peças no mercado clandestino de conserto de celular.

Segurança pública suspensa em nome da tecnologia

Em muitos casos nas capitais do Rio de Janeiro e São Paulo, registros de furto de celulares são ignorados pelas delegacias, sob justificativa de sobrecarga com outras demandas mais “graves”.

 Ou seja: enquanto estados fundamentais da democracia (saúde, educação) avançaram com programas estruturantes como o SUS, a segurança pública segue à deriva, sem coordenação ou estratégia de longo prazo.

PEC da Segurança empacou? A imagem mostra a fachada do **Palácio da Justiça**, em Brasília, sede do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Em primeiro plano, há uma placa marrom com os dizeres “Palácio da Justiça / Justice Palace”. O prédio aparece ao fundo, com arquitetura marcante de colunas e vidraças, ladeado por um espelho d’água e área verde.
Foto Marcelo CamargoAgência Brasil

Governo

Segundo o Governo Federal, o  Programa Celular Seguro atingiu a marca de 107.931 alertas de bloqueios emitidos. Desses, 49.669 foram por roubo e 34.916 por furto. Informa o MJ que a plataforma lançada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), em dezembro de 2023, já conta com 2.461.019 brasileiros cadastrados e segue em expansão.

É um número pequeno frente aos mais de 200 milhões de habitantes do pais e aos de 400 milhões smartphones.

PEC 18/2025

A PEC 18/2025, conhecida como “PEC da Segurança Pública”, outra iniciativa do Governo Federal, propõe elevar o Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) à condição constitucional, fortalecendo a coordenação federal e integrando polícias. Também constitucionaliza os fundos FNSP e Funpen, vedando seu contingenciamento.

Cria a Polícia Viária Federal (PVF) para patrulhar estradas, ferrovias e hidrovias, com atuação de apoio emergencial às forças estaduais. Estende o papel das guardas municipais, permite policiamento comunitário e exige ouvidorias independentes.

A proposta reforça a União como articuladora da política nacional de segurança pública. A proposta esta parada no Congresso Nacional.

Abandono

Segundo a análise de Italo Wolff, da Jornal Opção, a esquerda abandou a pauta da segurança, enquanto a direita coleta a insatisfação dos cidadãos afetados pela violência, sem, contudo, apresentar alternativas estruturais.

O que há é a retórica voltada à “ressocialização do criminoso”, sem estudos, casos exemplares, ou políticas concretas..

O resultado? Uma ferramenta como o Celular Seguro torna-se símbolo da falência estatal: um recurso que não substitui a presença efetiva do Estado e a recuperação da confiança pública.

Sintoma

O Celular Seguro não é solução — é sintoma. Ao investir em um mecanismo que apenas “autoriza o bloqueio”, o Estado confessa sua incapacidade de controlar o crime ou restaurar a autoridade legítima.

Enquanto isso, os aparelhos roubados continuam transportando segredos dos cidadãos, e as facções digitais seguem operando impunes, reforçando a sensação de que o Brasil modernizou o que era inútil e negligenciou o que realmente importa.

Sem o fim da leniência com o crime que parece que se espalhou pelo judiciário, poderes e e grande mídia, acaso não tratemos os criminosos como de fato são: foras da lei que rasgaram o contrato social ou pior, nem quiseram assina-lo, vamos patinar em politicas de segurança infrutíferas.

A criminalidade ri e agradece.

As facções crescem.

O Narcoestado se fortalece.

QSL News: polícia em foco.

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