Operação EBDOX: PCDF desarticula golpe bilionário de “falso investimento” em Bitcoin perpetrado por chineses.
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou, em 3 de setembro de 2025, a Operação EBDOX para desmantelar uma organização criminosa comandada por chineses que aplicava golpes por meio de uma plataforma fraudulenta de investimentos em Bitcoin.
Mais de R$ 1 bilhão
Segundo a investigação, o esquema movimentou cerca de/mais de R$ 1 bilhão em pouco mais de um ano, lesando vítimas em diferentes estados. Foram cumpridos 21 mandados de busca e apreensão e três de prisão temporária; duas pessoas foram presas até o momento.
Como o golpe funcionava
Os criminosos captavam vítimas em grupos de WhatsApp e Telegram, onde surgia a figura de um suposto “doutor em economia da USP” — na prática, uma persona operada com apoio de inteligência artificial para dar “dicas” e inspirar confiança.
Após convencer o público, o grupo direcionava os aportes para a plataforma EBDOX, que exibia rendimentos fictícios e dificultava o saque. Quando a vítima tentava resgatar, aparecia a mensagem de um bloqueio inexistente atribuído a uma “força-tarefa da PF”, condicionando a liberação ao pagamento de 5% de caução.
Após a nova transferência, o dinheiro não era devolvido e a plataforma sumia do ar.
Onde a polícia atuou
A operação foi conduzida pela 17ª DP (Taguatinga) e pela Delegacia de Repressão ao Crime Cibernético (DRCC/DECOR). Houve cumprimento de ordens judiciais no Distrito Federal e em quatro estados: Bahia, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Roraima.

Liderança e estrutura do esquema
De acordo com a PCDF, o núcleo decisório era formado por cidadãos de nacionalidade chinesa radicados na região central de São Paulo, que recrutavam brasileiros para administrar os grupos, monitorar vítimas e operar a “rotina” de captação.
Havia catálogos e controles internos; intermediários recebiam em criptomoedas por tarefa. A apuração local também encontrou referências a integrantes fora do país (como Taiwan e Singapura), articulando a rede.
Lavagem de dinheiro
As investigações apontam três frentes principais de lavagem de capitais:
- Compra de criptoativos;
- Comercialização de créditos de carbono;
- Exportação de alimentos com origem em Boa Vista (RR) tendo como destino a Venezuela.
Os fluxos buscavam dar aparência lícita aos valores captados na EBDOX e pulverizar ativos.
Perfil das vítimas
No Distrito Federal, uma única vítima de Taguatinga reportou perda superior a R$ 220 mil. Em um site de reclamações, a polícia identificou mais de 400 queixas relacionadas à plataforma, com relatos de depósitos elevados e bloqueio no momento do saque. Em Brasília, foram mapeadas mais de 10 vítimas.
Os depoimentos convergem: a vitrine inicial de “ganhos” servia para estender o engano até que somas maiores fossem aportadas.
Mandados e prisões
No dia da deflagração, a PCDF deu cumprimento a 21 mandados de busca e apreensão e três de prisão temporária. Duas pessoas foram presas, e a polícia apreendeu itens de luxo e documentos. As diligências continuam para rastrear valores, identificar outros partícipes e consolidar provas sobre a cadeia de comando e os canais de lavagem.
Enquadramento criminal
Os investigados devem responder, em tese, por estelionato, organização criminosa e lavagem de dinheiro — um conjunto que, somado, pode levar a penas elevadas em caso de condenação. A PCDF vinculou a operação ao combate a estelionatos virtuais em série, dada a sofisticação do artifício e a escala nacional do dano.
Por que a fraude prosperou
O caso reúne elementos típicos de golpes financeiros on-line:
- Autoridade artificial (personagem com suposta titulação acadêmica, apoiado por IA) para construir credibilidade;
- Comunidades fechadas (grupos de mensagens) que reduzem o contraditório e criam senso de “oportunidade exclusiva”;
- Resultados simulados na própria plataforma, para baixar defesas e estimular reinvestimentos;
- Barreiras fictícias ao resgate (como alegado “bloqueio” por autoridades) seguidas de taxas adicionais, mantendo a vítima presa ao ciclo.
A PCDF vê organização e especialização compatíveis com redes transnacionais de fraude citadas em relatórios recentes sobre crime cibernético e lavagem via cripto.
Orientações às vítimas e prevenção
- Não pague “taxas de liberação” pedidas após um suposto bloqueio: é sinal clássico de golpe.
- Guarde todas as provas (prints, contratos, comprovantes) e registre ocorrência na delegacia especializada ou pela via eletrônica do seu estado.
- Desconfie de “especialistas” milagrosos em grupos de mensagens e verifique CNPJ, domínios e histórico da plataforma antes de investir.
- Procure fontes oficiais e consultoria independente — se a promessa de retorno for acima do mercado e sem risco, isso é alerta vermelho. (As recomendações acima são de caráter geral e não substituem orientação jurídica individual.)
QSL News: polícia em foco.


















